Como É Viajar Sem Dieta

by | Oct 3, 2017 | Alimentação, Mentalidade

Como fica a sua dieta quando você viaja?

Você consegue manter a sua boa alimentação em dia? Ou o esforço de meses vai por água abaixo em poucos dias?

Se sim, eu entendo muito bem, porque isso era o que acontecia comigo TODAS as vezes.

Mas eu descobri que é possível fazer diferente, e hoje eu quero te contar como é viajar sem dieta – e voltar usando o mesmo jeans que eu usava quando embarquei.

Em 2017 eu tive a oportunidade de viajar pela Espanha com o meu noivo.

Ele estava morando em Barcelona para fazer seu estágio doutoral, e eu fui vistá-lo por três semanas. Nós passeamos pelas Ilhas Canárias e por algumas cidades ao sul da Espanha, conhecemos lugares e pessoas incríveis.

A viagem foi maravilhosa, mas eu não estou aqui para te falar detalhes das paisagens ou da cultura incríveis que conheci. Eu estou aqui para te falar do que interessa: COMIDA.

Aquela foi a minha primeira grande viagem desde que parei de fazer dieta. Foi uma viagem, mas poderia ter sido  qualquer ruptura grande na minha rotina. E confesso que fui com uma pontinha de receio, mas eu pude vivenciar uma experiência 200% diferente do que era “viajar” pra mim, e por isso decidi compartilhá-la.

VIAJANDO COM DIETA – O PASSADO NEGRO

Eu não sei como é pra você, mas eu vou te dar um resumo do que acontecia quando eu ia viajar no passado.

Tudo começava com o planejamento pré-viagem, que eu chamo de “o último sprint” (Fase 1), que era basicamente tentar “secar” o máximo possível antes da viagem, porque embora eu quisesse acreditar o contrário, no fundo eu sabia que ia ganhar tudo e mais um pouco de volta. Imagine só se eu não tentasse perder pelo menos um pouco?

E isso significava o quê? Restringir mais do que eu já restringia a minha alimentação.

Então chegava o momento mágico: a viagem em si. No momento em que eu colocava o pé na estrada acontecia uma coisa muito curiosa na minha cabeça, que eu apelidei de “possessão faminta” (ou Fase 2). Eu sei que o nome parece pesado, mas é fiel ao que eu sentia. Parecia que, de um momento para o outro, o meu cérebro era sequestrado e todo o meu bom-senso ia pelo ralo.

Todos os bons comportamentos que eu cultivava no meu dia-a-dia desapareciam como mágica. Eu digo bom comportamento porque eu acreditava que ser forte e não comer o que eu gostava na minha rotina era uma coisa louvável.

(Embora hoje eu ache graça, esse ainda é o padrão de “louvável” que eu mais vejo por aí, sendo restrição sinônimo de força de vontade e determinação. Mas hoje o texto não é sobre isso. Voltemos à minha aventura).

Enfim, a fase da “possessão faminta” em geral durava a viagem toda, e nela eu comia e bebia TUDO o que eu queria vezes três – porque eu sabia que a farra ia acabar. E ela acabava mesmo.

Assim que a viagem acabava vinha a pior fase, aquela que eu temia com antecedência por dias: o conserto do estrago – ou o que eu chamo de “fase detox” (deve ser por isso que eu odeio tanto essa palavra).

“fase detox” (ou Fase 3) começava do pior jeito que você pode imaginar…

Subindo na balança.

Essa era a hora mais temida de todas, porque o número que aparecia naquele visor determinava diretamente o tanto de esforço que eu teria que fazer nas próximas semanas – e indiretamente o meu grau de insatisfação comigo mesma, a minha infelicidade e a minha auto-desvalorização como pessoa.

Então por algumas semanas eu me forçava a voltar pra minha rotina com muito afinco. Menos comida, mais treino. Menos carboidrato, menos gordura, menos prazer. Eu nunca medi a duração dessa última fase.

Aliás, ela não tinha exatamente um fim, porque eventualmente eu me impunha uma restrição tão por tanto tempo que, quando eu me permitia comer algo diferente, eu exagerava – e muito. Então isso acabava virando o padrão, o normal.

Restrição – exagero – restrição.

Até a próxima viagem. Onde recomeçava a Fase 1.

COMO FOI VIAJAR SEM DIETA

Agora que você já sabe como eram minhas viagens antes, eu quero te dizer como foi viajar sem dieta, ou seja, comendo intuitivamente.

Primeiro, não houve fases.

Eu não tentei “secar” antes de viajar, eu não comi igual um filhote de elefante na viagem e em momento nenhum tentei “fechar a boca” depois da viagem.

Antes de viajar, eu fiz questão de mostrar pro meu corpo que ele não precisava entrar na “possessão faminta”, porque havia comida em abundância pra suportar todas as minhas atividades. Ele estava seguro.

Durante a viagem, eu o nutri com muita comida de verdade (paella é comida de verdade, tá?) e o relaxei com quantidades moderadas de vinho. Eu o respeitei, treinei quando consegui (porque ele fica mais feliz quando se movimenta) e dormi bem.

Após a viagem, meu único “desgosto” foi a saudade do meu noivo, que continuou lá por mais uns meses, e dos lugares lindos que conheci.

Eu não faço ideia do número que a balança me mostraria, porque eu não dei essa chance pra ela.

O que eu sei é que na volta para casa eu estava usando a mesma calça jeans que eu vestia quando embarquei. E isso me deixou maravilhada. A vida segue e meu corpo continua sendo meu melhor amigo.

Segundo, eu não senti culpa por nada do que eu comi e não me recordo de nenhum momento em que eu tenha me sentido mal depois de comer, do tipo rolando e pensando “exagerei”.

Eu comi sim coisas diferentes, bebi cervejas artesanais incríveis, mas não houve aquele frisson. Sabe por que?

Porque eu SEI QUE EU POSSO comer e beber coisas diferentes hoje, amanhã ou depois de amanhã. Todo dia é dia, se assim eu quiser que seja.

Isso pode soar até um tanto ousado no mundo em que vivemos, mas hoje em dia eu como literalmente o que eu quero, na hora que eu quero. E eu aprendi, com muita curiosidade sobre mim mesma, que eu prefiro comer mais comida de verdade, menos alimentos processados e açúcar. Isso porque o meu corpo funciona melhor assim. Movimento constante também me faz bem. Logo, minha vida é melhor – e é assim que eu quero me sentir, o máximo que eu puder, onde quer que eu esteja.

Se você se identificou, ao menos em parte, com o que era viajar pra mim, eu quero que você saiba que você não está sozinha, e que é possível sair desse ciclo vicioso de fases punição – recompensa – punição. Esse não precisa ser o seu padrão.

E é isso que eu tento repassar, tanto pra você que me acompanha aqui ou pra quem faz coaching comigo. É possível viver – e viajar – sem ter que contar gramas de carboidrato ou comer como se não houvesse amanhã.

Existe um ponto de equilíbrio e você pode encontrá-lo com amor – e com as ferramentas certas.

É fácil?

Não.

Mas tentar emagrecer com shake e simpatia também não é.

Pelo menos no primeiro caso você não está jogando seu tempo no lixo ?

Lívia Raimundo

Lívia Raimundo

Coach Alimentar, Pn1

Eu ajudo mulheres a comerem melhor e emagrecerem sem neuras.

Eu sou coach nutricional, doutora em marketing de alimentos, estudante de Nutrição, aquariana, louca por café, livros e um bom papo. Eu também amo cozinhar (e comer, óbvio).

Eu vivo em São Paulo com o meu noivo e dedico a maior parte do meu tempo a inspirar mulheres a alcançarem uma relação mais leve e feliz com a comida e com o próprio corpo.

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