O Ciclo da Fome Emocional

by | Aug 2, 2017 | Fome Emocional

Eu sei que a sua fome emocional pode estar te custando o seu emagrecimento – e possivelmente a sua sanidade mental. Por isso, eu quero te explicar como ela funciona e como você pode estar, sem querer, “alimentando” o problema.

Desde que nascemos, nós aprendemos que comida e amor andam de mãos dadas.É por isso que quando você se sente estressada, triste, ansiosa, frustrada ou cansada (ou até muito feliz), você pode sentir uma fome repentina e talvez até insaciável.

Você pode ter acabado de comer e saber que não é uma fome genuína mas, ainda sim, parece fome. Então você come.

E é pouco provável que você busque algo particularmente saudável… não é fome de chuchu. E isso acontece pois a experiência de fome não é física – é emocional.

Ao longo da vida, nós vamos internalizando experiências nas quais a comida fez o papel de nutrir o corpo físico e/ou o corpo emocional. Por exemplo, quando você era um bebê, você ganhava leite quando chorava, certo? Independentemente dos motivos pelos quais você chorava. A sua mente de bebê foi aprendendo que, quer você estivesse triste, molhada de xixi, enjoada ou solitária, alguém ia te dar comida e você se sentiria melhor.

Já quando você era uma criança, você provavelmente aprendeu que momentos felizes em família tinham sorvete, que festas tinham docinhos e que chocolate era uma recompensa por “ser uma boa menina”. Não importa exatamente qual o seu caso, cada uma de nós temos o próprio mapa de experiências alimentares.

COMO A FOME EMOCIONAL SE ALIMENTA 

Então, hoje – em que você já não é mais criança, tem plenos poderes e, teoricamente, bom senso – quando você se depara com o bolo inesperado no escritório, no meio da tarde, você entra num debate interno do tipo “será que eu deveria comer isso ?”.

Esse debate funciona como uma “mini-negociação” entre você e você mesma, na qual os argumentos soam algo como:– Por que não? Eu quase não comi nada no almoço de hoje…– Todo mundo pode comer isso, é injusto que eu não possa!– Eu sei que eu não estou com fome de verdade, mas dane-se! A vida é muito curta.

É esse dane-se – ou equivalente – que te faz perder a batalha para o seu crítico interno, a quem eu chamo de “menina má”.

Ao ceder à vontade de comer para se confortar, você alimenta a menina má, aquela voz na sua cabeça que te crítica e te maltrata quando você faz algo errado. Ela sobe no palco e começa a cantar uma música mais ou menos assim:

– Tá vendo? É por isso que você nunca vai emagrecer!– Você é fraca! Não importa o quanto você tente, nunca vai conseguir.– Você é patética e nunca vai ter o corpo que quer.– Você é péssima pessoa e não merece nada de bom nessa vida.

Da mesma forma que o seu mapa de experiências alimentares, o seu crítico interno tem um script único. A menina má te fala coisas que você também internalizou desde a infância, que foram se consolidando por experiências repetidas. Misturadas com essa culpa, vem também raiva de si mesma e outras emoções negativas.

E eu te dou uma bala se você adivinhar onde essa culpa misturada com raiva vão te levar! (Viu só como a comida serve de recompensa?!)

MAIS FOME EMOCIONAL.

E onde essa fome te leva?

Ao velho debate interno – se é que ele existe, pois tem chance de você simplesmente comer sem pensar.

Em qualquer um dos casos, quando você “perde a batalha”, você se sente mais culpada e mais brava consigo mesma.

E veja bem, essas emoções se acumulam no seu inconsciente. Pode ser que você ceda a um brigadeiro hoje e consiga resistir amanhã. Mas com a frustração ainda latente é possível que depois de amanhã você pegue logo dois.

COMO SAIR DO CICLO DA FOME EMOCIONAL

Então como sair desse ciclo de comer, se culpar e então comer mais?

Eu dou te dou um passo-a-passo aqui.

Para verdadeiramente sair do ciclo da fome emocional, você precisa (1) entender de onde ela vem e (2) parar de alimentar o seu crítico interno – já ele provavelmente nunca te levou a lugar nenhum bom.

Pro primeiro caso, anotar o que você está sentindo antes e depois de comer pode ser um bom exercício para ajudar a enxergar o padrão da sua fome.

Para o segundo a coisa pode ser um pouco mais complexa, já que só você conhece como o seu crítico trabalha. Uma boa forma de começar é abandonar qualquer regra que você tenha para comer.

Eu sei que parar de fazer dieta pode parecer contra-intuitivo – especialmente se você quer emagrecer. Mas sabe o que acontece quando você pára?

Você se liberta.

Não tem mais certo e errado, só tem certo.

Este é um ponto muito delicado e eu não vou me aprofundar nele neste texto. Mas tenha isso em mente:A culpa é um dos principais gatilhos da fome emocional.Você está se culpando porque em algum momento você assimilou uma regra.E você a quebrou a regra.Então vem a culpa e, quando ela vem, você fica mais propensa e se confortar com comida.

Menos regras, menos culpa. Menos culpa, mais controle você tem da sua alimentação.

Ao entender como o a sua fome emocional funciona, você é capaz de sair desse ciclo e viver uma vida mais leve – e provavelmente alcançar um corpo mais leve também

Lívia Raimundo

Lívia Raimundo

Coach Alimentar, Pn1

Eu ajudo mulheres a comerem melhor e emagrecerem sem neuras.

Eu sou coach nutricional, doutora em marketing de alimentos, estudante de Nutrição, aquariana, louca por café, livros e um bom papo. Eu também amo cozinhar (e comer, óbvio).

Eu vivo em São Paulo com o meu noivo e dedico a maior parte do meu tempo a inspirar mulheres a alcançarem uma relação mais leve e feliz com a comida e com o próprio corpo.

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