A jornada da Liberdade Alimentar

by | Dec 3, 2020 | Alimentação, Emagrecimento, Mentalidade

O que você pode esperar de cada fase do processo de libertação das dietas

Você já experimentou de tudo e nenhum plano alimentar, treinamento físico ou dieta milagrosa te fez feliz a longo prazo. Então você resolve que, de uma vez por todas, vai ser livre de tudo isso. Desde já, meus parabéns! É seu primeiro passo no caminho certo!

As dietas são aqueles falsos atalhos que pegamos na tentativa de chegar logo ao objetivo de estar bem com o nosso corpo. Mas, na verdade, elas são como uma estrada no sentido contrário da felicidade, que só nos afastam do nosso autoconhecimento, ditando regras externas que te fazem acreditar que você não é capaz de gerenciar o seu corpo.

Só você vai saber quais alimentos precisa, de quanto precisa, que horas deve comer, como a sua fome se comporta e quais são os gatilhos que te fazem procurar comida quando não está com fome. Ninguém vai ser capaz de fazer isso por você! 

Para aprender a caminhar, todo mundo precisa começar rastejando, engatinhando, se segurando em algumas coisas e levando alguns tombos até conseguir andar com as próprias pernas. Da mesma forma, você também pode esperar isso do seu processo de liberdade em relação às dietas. É preciso ter paciência para passar por cada fase da jornada. Mas o resultado tem um valor inestimável: sua autonomia para decidir o que você quer (e o que não quer) colocar para dentro do seu corpo.

Aqui está o que você pode esperar quando abandona a prisão das dietas em direção à liberdade alimentar.

Fase 1 – Cansei dessa merda

Quando você aceita que as dietas não funcionam, você inicialmente se compromete a nunca mais comecar outra na vida. Sua percepção de que o problema está além da comida e do peso é aumentada e você reconhece a importância de mudar a sua relação consigo mesma e com o seu corpo.

O principal desafio desta fase é o medo do que pode acontecer com o seu corpo se você comer livremente. As regras te mantinham segura e te faziam se sentir no controle, então você pode sentir vontade de voltar para aquele lugar conhecido de restrição. O comprometimento em criar uma nova relação com a comida precisa ser renovado todos os dias. Vale a pena!

FASE 2 – Tirando a barriga da miséria

Aqui você começa a reintroduzir na rotina os alimentos que foram proibidos por tanto tempo. A permissão para comer o que você quer é assustadora, mas excitante. Você aos poucos volta a se reconectar com o seu corpo e a sentir os sinais de fome e saciedade que ele te manda. Entretanto, ainda é muito difícil saber quando é hora de começar ou parar de comer, e pode ser que você se preocupe excessivamente com isso. Mesmo assim, comer se torna mais prazeroso porque você está comendo o que realmente gosta e prezando pelo sabor das coisas – e não pelo mínimo de calorias.

O grande desafio desta fase é a tendência natural de se rebelar contra todos os anos de privação, uma vontade enorme de se compensar pelas restrições do passado. Isso pode te levar a exagerar na comida – principalmente com alimentos proibidos durante muito tempo, e o acúmulo desses exageros pode levar ao ganho de peso. Além disso, o seu corpo está saindo do modo de sobrevivência, o que pode aumentar sua percepção de fome e facilitar o acúmulo de gordura para segurança metabólica. Lembre-se que isso vai passar!

FASE 3 – Brócolis e Nutella

Quanto mais você se adapta à permissão incondicional para comer, comer com modetaçao fica cada vez mais fácil. As compulsões e impulsos finalmente cessam e você fica mais confiante para comer. 

Quando você percebe que realmente não precisa se culpar pelo que comeu ou gosta de comer, sua alimentação fica mais variada, gostosa e nutritiva. O peso tende a se estabilizar.

Você se sente mais tranquila sobre as suas escolhas, e entende quais alimentos você realmente gosta e quais você só tinha vontade de comer porque eram proibidos. Come quando tem fome fica mais fácil, mas nem sempre é fácil parar de comer quando está saciada.

O maior desafio desta fase é que, muito provavelmente, a sua cabeça ainda quer comer mais que o seu corpo precisa, e é difícil entender porque. Fica cada vez mais claro que você terá que trabalhar outras esferas da vida que precisavam de atenção estavam sendo abafadas pela comida e pelo seu peso. A fome emocional deverá ser amplamente explorada e trabalhada para que essa fase seja completa.

FASE 4 – Vivendo a Liberdade

Agora você já é capaz de comer o que quer e parar quando está levemente saciada, sem se sentir privada por isso. O seu paladar ficou mais aguçado e você é mais exigente em relação ao sabor e à qualidade do que come. Você se dá conta de que não pensa em comida quando não está com fome, de forma que você tem mais tempo e energia para colocar em outras coisas.

Se houver peso a perder, é mais provável que ele seja eliminado agora porque a sua alimentação se estabilizou. De qualquer forma, isso deixou de ser tão importante, já que você aceita mais o seu corpo, mesmo com as suas imperfeições. A sua percepção de valor pessoal se amplia para outras áreas, de forma que você se sente mais confiante e empoderada.

Claramente, você ainda sente desconfortos emocionais, mas aprendeu formas mais eficazes de lidar com suas emoções e desconfortos do que com a comida. Você entende seus gatilhos com facilidade e já sabe que é forte o bastante para se acolher e lidar com eles.

Os desafios dessa fase incluem a cristalização da sua nova forma de pensar sobre a comida e seu corpo. Ainda é preciso atenção para não voltar ao piloto automático na alimentação e fazer escolhas presentes e conscientes – para sempre.

Lembre-se sempre que é normal comer um pouco a mais algumas ocasiões, e isso não é sinal de fraqueza ou fracasso, nem que você voltou aos antigos padrões de exagero alimentar. Lembre-se também que mesmo um corpo estável oscila levemente em relação ao peso e à fome – isso faz parte de ser humana. 

Você também não está livre de dias ruins de autoimagem e pode ser que, às vezes, você não se sinta confiante, bonita e nem corajosa, mas agora você reconhece que não precisa agir contra isso. Assim como o céu tem dias nublados e dias ensolarados, você terá dias melhores e outros nem tanto, mas agora você não culpa mais o seu peso por isso.

Você consegue identificar em qual fase está?

Eu te desejo coragem para caminhar na direção da sua liberdade, os seus desejos em relação à comida, ao autocuidado e à vida. 

Lívia Raimundo

Lívia Raimundo

Coach Alimentar, Pn1

Eu ajudo mulheres a comerem melhor e emagrecerem sem neuras.

Eu sou coach nutricional, doutora em marketing de alimentos, estudante de Nutrição, aquariana, louca por café, livros e um bom papo. Eu também amo cozinhar (e comer, óbvio).

Eu vivo em São Paulo com o meu noivo e dedico a maior parte do meu tempo a inspirar mulheres a alcançarem uma relação mais leve e feliz com a comida e com o próprio corpo.

O Passo-a Passo para Escapar da Prisão da Comida

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