As Ciladas Dos “Alimentos Que Engordam”

set 16, 2019 | Alimentação, Mentalidade

Entenda as duas maiores armadilhas de acreditar que existem alimentos que engordam (ou emagrecem).

Se eu ganhasse 1 real para cada vez que me perguntam se “X alimento engorda?”, eu já teria me aposentado e estaria morando nas Maldivas.

Como eu já fui uma pessoa que acreditava que existiam alimentos que engordavam (e outros que emagreciam!), eu entendo esse questionamento.

No atual cenário do terrorismo nutricional, parece natural rotularmos os alimentos como bons ou ruins, certos ou errados, saudáveis ou não saudáveis – e até emagrecedores ou engordativos.

Eu conheço poucas pessoas que não se sintam culpadas ou envergonhadas por comerem chocolate, sorvete e bolo de aniversário – especialmente se for fora de um contexto “socialmente aceitável”, como páscoa, um dia muito quente ou festas de aniversário, nesta ordem.

Tudo o que se come de “errado” fora desses eventos de “passe-livre” é considerado digno de culpa e, principalmente, um indicador de falta de força de vontade para manter uma alimentação impecavelmente saudável.

Eu passei a maior parte da minha vida na armadilha da força de vontade, acreditando que tudo o que me faltava para emagrecer era comer menos os alimentos proibidos que eu adorava tanto. Então eu quero te explicar porquê você precisa abandonar essa forma de pensar se quer encontrar paz com a comida e com o seu corpo.

As regras e os “alimentos que engordam”

Eu sempre vi os alimentos que engordavam como perigosos. Eu sabia que não conseguia me controlar com eles, eu me sentia dominada. Se tudo que eu mais queria no mundo era emagrecer (por muito tempo foi assim), esses alimentos ficavam na minha lista de “proibidos”.

O grande problema é que a minha lista de alimentos proibidos aumentava a cada dieta que eu fazia. Numa conta rápida, se eu tentava pelo menos duas dietas por anos e eu passei pelo menos uma década fazendo dietas, imagine o tamanho dessa lista!

Para cada dieta havia uma lista de regras diferentes – muitas delas contraditórias, inclusive. Em determinado ponto, comer era um verdadeiro malabarismo:

  • Não pode ter glúten.
  • Açúcar nem pensar.
  • Álcool somente aos finais de semana.
  • Doces? Sem chance.
  • Carne? Só se for magra.
  • Então agora pode glúten? Então é melhor que seja integral.
  • Então agora os adoçantes não são seguros? Qual açúcar será o menos pior então? Ainda é açúcar, né? Deixa sem adoçar mesmo.
  • Mas se vinho é bom para o coração eu deveria beber todos os dias?
  • Queijo branco? Amarelo?
  • Iogurte natural? Desnatado?
  • Leite é veneno?
  • E a gema do ovo? Alguém já decidiu se é boa ou ruim?

Eu tinha tantas regras para comer que era impossível sentir que eu estava fazendo um bom trabalho. A pressão era tanta que, invariavelmente, eu acabava burlando ou ignorando as minhas regras… uma vez, duas vezes, três vezes… até que eu perdesse tudo o que eu havia conquistado.

E, para mim, isso era um crime.

E isso me leva ao primeiro grande problema de dividir os alimentos entre alimentos que engordam ou emagrecem, entre ruins ou bons, ou entre proibidos ou permitidos.

A moralidade desse julgamento se estende ao nosso caráter

Funciona assim:

– Chocolate é ruim. Eu me comportei mal porque eu comi chocolate.

– Salada é bom. Eu me comportei bem porque eu comi salada.

O que você come pode ser mais ou menos nutritivo e funcionar melhor ou pior para os seus objetivos mas, definitivamente, não reflete o seu caráter.

O primeiro problema dessa forma de pensar é que ela relaciona o seu valor como ser humano ao que você come.

Por isso eu acho que vale lembrar que…

Comer salada não te torna uma boa pessoa. Te torna uma pessoa que come salada.

Comer alimentos nutritivos não te agrega nenhuma característica especial que te torne mais agradável, competente ou feliz.

O que realmente determina a sua bondade é a forma como você trata os outros, a sua intenção de fazer a coisa certa, de ser gentil e bacana.

Você também não é uma pessoa melhor porque se abstém de comer pizza.

Essa percepção de “comida boa = pessoa boa” só gera angústia e ansiedade. Ceder a alimentos ruins leva ao sentimento de desapontamento e a uma vontade implacável de reparar o dano – leia-se, começando uma restrição super forte amanhã mesmo.

MAS… só amanhã.

Então hoje você aproveita para tirar a barriga da miséria.

E isso nos leva à segunda armadilha de dividir os alimentos em bons ou ruins.

Dividir os alimentos em bons ou ruins te leva a comer mais dos dois grupos

Afinal, se é “bom”, você credita que não tem perigo nenhum, não importa a quantidade. Nada mais óbvio do que pegar mais um pouco de chuchu para garantir que você não fique com fome – e corra o risco de comer algo “ruim”.

Contudo, se é “ruim”, você acredita que a mínima quantidade vai engordar – e você chega no que chamamos de efeito Jaque! — Uma das maiores armadilhas da mentalidade de dieta.

Já que eu comi chocolate – e chocolate está na lista dos proibidos – é melhor eu tomar um pouco de sorvete, fazer uma pipoca, pedir uma pizza mais tarde e comer mais sorvete de sobremesa. É melhor já acabar com todo o açúcar da dispensa para não correr o risco.

Parece a coisa mais óbvia a se fazer – pelo menos é o que a mentalidade de dieta te faz acreditar.

Mas, se você tivesse acabado de comprar um jogo de jantar chinês e lascasse a pontinha de um prato num acidente, você o jogaria no chão? Você quebraria todos os outros só de raiva de si mesma?

Eu aposto que não.

É a mentalidade de “comida ruim” ou “alimento que engorda” que te mantém presa nesse ciclo de excessos, e em guerra com o seu corpo agindo contra o seu bom senso.

Ao invés de pensar se a comida é boa ou ruim, pense sobre o que o seu corpo precisa agora. Nutrir bem o seu corpo não significa simplesmente “comer limpo”.

O que você realmente deseja comer?

O que vai te satisfazer, de corpo e alma?

O que vai fazer você se sentir bem?

O que te energiza e faz você se sentir leve?

Preste atenção ao que o seu corpo te diz. Ele sabe exatamente o que fazer.

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Lívia Raimundo

Lívia Raimundo

Coach Alimentar, Pn1

Olá bonita! Eu sou a Lívia ♡

Eu ajudo mulheres a comerem melhor e emagrecerem sem neuras.

Eu sou coach nutricional, doutora em marketing de alimentos, estudante de Nutrição, aquariana, louca por café, livros e um bom papo. Eu também amo cozinhar (e comer, óbvio).

Eu vivo em São Paulo com o meu noivo e dedico a maior parte do meu tempo a inspirar mulheres a alcançarem uma relação mais leve e feliz com a comida e com o próprio corpo.

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